Manifesto Cora - Saúde Integrativa e Desenvolvimento Humano

Há algum tempo, me perguntaram qual era o objetivo do CORA.

Pensei em responder que era ajudar clínicas, profissionais autônomos e SPAs a crescerem, melhorar processos, organizar equipes ou aumentar resultados. Foi uma resposta de “bate e pronto” que veio na minha cabeça. 

E, realmente, tudo isso é verdade, mas nenhuma dessas respostas traduzia, de fato, o motivo pelo qual a CORA nasceu.


Ela nasceu porque acredito que existe uma forma mais humana de empreender na saúde, uma forma em que gestão não significa apenas planilhas, números, e metas a serem batidas.


Acredito que experiência não significa apenas oferecer um café gourmet, que liderança não é controle. Eu acredito em um marketing que não é convencimento, em num lugar onde o lucro não é o único indicador de sucesso.

Pode parecer loucura, tentar entender o nosso propósito, a nossa missão profissional, o que faz nosso coração se encher de satisfação. E eu sei que muita gente “romantizou” e cansou tanto esse discurso que ele virou até um clichê, meio “good vibes”, ainda mais num mundo onde o discurso “no pain, no gain” ou até mesmo o “trabalhe enquanto eles dormem” se fortaleceu tanto no meio empreendedor e fez a regra do “quanto mais trabalho, mais resultado” ser o “melhor” caminho. Mas eu sempre me perguntava: melhor caminho para quê? Para quem? Qual o custo?Eu não achava normal, mesmo que necessário, eu passar mais tempo no meu trabalho do que com a minha família e, apesar disso, agradecia todos os dias por conseguir (e ter o privilégio de)  trabalhar com algo que eu amava muito. 


Ao longo da minha trajetória, vivi diferentes realidades. Desde trabalhar com o que aparecia (para poder arcar com as contas), até ir inserindo aos poucos a Naturologia (minha profissão de formação) em todos os ambientes que eu frequentava. Se estava no meio corporativo, cuidava dos colegas de trabalho, com as ferramentas possíveis, com as ideias e adaptações necessárias, se eu estava em feiras e eventos, colocava os óleos essenciais, o acolhimento e até algumas estratégias de escuta ativa para entreter e cuidar de quem passava pelos stands. E eu fazia tudo isso para não deixar de ser a Naturóloga que se formou, para não deixar as práticas morrerem em mim, para eu não me perder de mim mesma na minha rotina exaustiva de trabalho. 


Trabalhei em grandes SPAs, com eventos, em pequenas empresas, no mundo corporativo, participei da construção de equipes, desenvolvi protocolos, acompanhei negócios crescerem, vi espaços florescerem... e também vivi o encerramento de um projeto que carregava muitos sonhos: a minha empresa. 


Fechar meu espaço me ensinou mais do que inaugurá-lo, isso eu posso falar com plena certeza. E doeu muito, como se eu tivesse perdido alguém que eu amava bastante. E não pelas perdas e apegos materiais (e prejuízos financeiros), mas pelo sentimento de vazio trazido pelos “e se´s”: “e se eu tivesse feito diferente?”, “e se aquela proposta tivesse dado certo?”, “ e se eu tivesse demitido/contratado tal pessoa?”. Doeu, doeu muito ver um sonho sendo encaixotado, desde os móveis grandes e plaquinhas das salas, até os sonhos, as esperanças e o meu propósito. Eu tive sorte, tive o apoio do meu marido para me amparar emocionalmente neste momento e ajudar a passar o lacre nas caixas (nas de papelão e nas do coração), coisa que eu não conseguia fazer.


Na época, parecia apenas o fim de um ciclo e da vontade/ coragem de empreender. Hoje entendo que foi um dos momentos mais importantes da minha formação como profissional, como empreendedora e como pessoa.

Eu descobri que um negócio não fracassa apenas quando fecha as portas, às vezes ele fracassa enquanto continua funcionando, mas perde sua essência. Ele fracassa, quando nos deixamos levar por métricas terceirizadas, por promessas milagrosas de crescimento e até por dicas de “como decorar seu consultório para vender mais”. Ele fracassa quando sufocamos nossa essência, nosso propósito e seguimos por um caminho cujo o qual não nos identificamos. E essa é uma perda muito mais silenciosa.


Ao longo da minha atuação profissional eu fui docente e conteudista por muitos anos, e acompanhei a formação e o amadurecimento de muitos profissionais nas áreas da saúde e bem-estar (beleza, massoterapia, podologia, estética, etc etc). E o que eu via, muitas vezes, eram sonhos desalinhados com que se estava construindo. Pessoas estudando apenas para um retorno financeiro, que não gostavam do que faziam e o contrário também: pessoas muito aptas, extremamente dedicadas, cujos projetos não saíam do papel. Vi, nesse anos, alunos incríveis abandonarem seus talentos pelas adversidades da vida, pela falta de preparo em se colocar no mercado e por serem bons apenas nas técnicas e não no contexto de ter, cuidar, inovar e administrar um espaço de cuidados. 

Não vou ser demagoga ou seguir na hipocrisia do “só com amor e talento se vence na vida”, porque sei que não é verdade. Até dizem “trabalhe com o que você ama e passe a odiar o seu trabalho” rs. Mas eu ainda confiava que era possível, ainda mais em uma área tão sensível como a área da saúde, ser feliz, alinhada ao propósito, oferecendo um bom serviço e prosperando financeiramente com o que se escolheu como meta profissional e de vida. 


E foi dessa experiência, dessas reflexões, que nasceu uma pergunta que me acompanha até hoje:

Que tipo de profissional eu quero formar?

A resposta nunca foi: "alguém que apenas fatura mais", nem "alguém que domina todas as ferramentas de gestão", nem "alguém que segue tendências".


Quero formar e ajudar profissionais capazes de construir espaços coerentes com aquilo em que acreditam. Pessoas que compreendam que cuidar do outro começa pelo modo como escolhem liderar, acolher, organizar e se relacionar.


Acredito que uma clínica, um consultório ou um SPA nunca é apenas um endereço, é um reflexo das escolhas de quem o conduz.

Cada detalhe comunica:

  • A forma como a equipe se cumprimenta.
  • A maneira como um paciente é recebido.
  • A iluminação.
  • O silêncio.
  • O aroma.
  • A organização.
  • A escuta.
  • Os processos.
  • Os limites.
  • A cultura.

Tudo fala, mesmo quando ninguém percebe conscientemente.


Por isso, não acredito em modelos prontos, não acredito em fórmulas universais, não acredito que exista uma única maneira correta de empreender. Cada negócio precisa encontrar sua própria identidade, cada profissional precisa descobrir qual experiência deseja oferecer ao mundo.


A técnica é importante, os indicadores também. Os processos são fundamentais, mas eles são meios, nunca o propósito.

Na CORA, acreditamos que gestão e sensibilidade caminham juntas, que organização e acolhimento não são opostos. Que excelência nasce da intenção, que inovação pode surgir da escuta e que resultados sustentáveis ​​​​​​são consequência de uma cultura construída com coerência.

Não buscamos formar empresas perfeitas, buscamos formar lugares vivos, lugares onde quem trabalha sente pertencimento, onde quem chega sente segurança, onde o cuidado é percebido antes mesmo do primeiro atendimento, porque uma boa experiência não começa na maca, nem na consulta. Ela começa na intenção com que aquele espaço foi criado.


Talvez, por isso, a pergunta mais importante nunca seja: "Como fazer meu negócio crescer?"

Mas sim:

"Que história eu quero que as pessoas sintam quando atravessarem a porta do meu espaço?"

Se essa pergunta fizer sentido para você, talvez este seja o seu lugar.  Bem-vindo à CORA:


Aqui, acreditamos que negócios podem prosperar sem perder a alma e a essência.E que a verdadeira excelência nasce quando propósito, conhecimento e humanidade caminham na mesma direção.


Com carinho, Gê Celeghin